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HIDROGRAFIA BRASILEIRA


Você sabe a diferença entre Bacia Hidrográfica e Região Hidrográfica?

Primeiro você precisa ter em mente que a Hidrografia é o ramo da Geografia física que trata das águas correntes, paradas, oceânicas e subterrâneas. No mundo todo há divisões hidrográficas em bacias e regiões e, de modo geral, para que nunca mais esqueça: A Bacia Hidrográfica é uma região banhada por diversos rios composta pelo rio principal e seus afluentes. Já a Região Hidrográfica é uma área de terra que terra composta por uma ou mais bacias hidrográficas e pelas águas subterrâneas e costeiras associadas. 


A Divisão Hidrográfica Brasileira, instituída pelo Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNRH), estabelece as doze Regiões Hidrográficas nacionais. São regiões hidrográficas: bacias, grupo de bacias ou sub-bacias hidrográficas próximas, com características naturais, socais e econômicas similares. Esse critério de divisão das regiões visa orientar o planejamento e gerenciamento dos recursos hídricos em todo o país. Veja  a seguir as 12 regiões hidrográficas brasileiras e um resumo de cada uma delas logo abaixo.





Região Hidrográfica Amazônica


A Região Hidrográfica Amazônica (RH Amazônica) ocupa 45% do território nacional, abrangendo sete Estados (Acre, Amazonas, Rondônia, Roraima, Amapá, Pará e Mato Grosso). Possui uma extensa rede de rios com grande abundância de água, sendo os mais conhecidos: Amazonas, Xingu, Solimões, Madeira e Negro. A densidade populacional é 10 vezes menor que a média nacional, entretanto, a região concentra 81% da disponibilidade de águas superficiais do país. Cerca de 85% da área da RH Amazônica permanece com cobertura vegetal nativa.



Região Hidrográfica Atlântico Leste


A Região Hidrográfica Atlântico Leste ocupa 3,9% do território do país, abrangendo quatro Estados (Bahia, Minas Gerais, Sergipe e Espírito Santo). Grande parte de sua área está situada na região semiárida, que possui períodos de prolongadas estiagens. A RH Atlântico Leste possui a segunda menor disponibilidade hídrica, dentre as doze regiões hidrográficas brasileiras.



Região Hidrográfica Atlântico Sudeste


A Região Hidrográfica Atlântico Sudeste ocupa 2,5% do território nacional e abrange cinco estados: Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná. É a região hidrográfica mais povoada, com densidade demográfica seis vezes maior que a média brasileira. Apresenta alta diversidade de atividades econômicas e significativo parque industrial, constituindo-se em uma das regiões mais economicamente desenvolvidas do país.



Região Hidrográfica Atlântico Nordeste Ocidental


A Região Hidrográfica Atlântico Nordeste Ocidental ocupa 3% do território nacional, abrangendo quase a totalidade do estado do Maranhão e pequena parcela do Pará. O uso urbano da água é preponderante e estão presentes na região três biomas brasileiros: Caatinga, Cerrado e Amazônico.



Região Hidrográfica Atlântico Nordeste Oriental


A Região Hidrográfica Atlântico Nordeste Oriental ocupa 3,4% do território nacional, abrangendo seis estados: Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Alagoas. A densidade demográfica da região é cerca de 4 vezes maior do que a média brasileira. Quase a totalidade de sua área pertence à Região do Semiárido Brasileiro, caracterizada por apresentar períodos de estiagens prolongadas e temperaturas elevadas durante todo o ano. Esta é a região hidrográfica com a menor disponibilidade hídrica do Brasil.



Região Hidrográfica Tocantins-Araguaia


A Região Hidrográfica Tocantins-Araguaia corresponde a 10,8% do território brasileiro, abrangendo seis estados: Goiás, Tocantins, Pará, Maranhão, Mato Grosso e Distrito Federal. Na Região, estão presentes os biomas Floresta Amazônica, ao norte e noroeste, e Cerrado nas demais áreas. A precipitação média anual na região é bem menor do que a média nacional. Possui grande potencial turístico: pesca esportiva, turismo ecológico, praias fluviais, a maior ilha fluvial do mundo (Ilha do Bananal), o polo turístico de Belém, o Parque Estadual do Jalapão (TO) e o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros (GO), reconhecido pelas belas cachoeiras.



Região Hidrográfica Parnaíba


A Região Hidrográfica Parnaíba ocupa 3,9% do território brasileiro, abrangendo três estados: Ceará, Piauí e Maranhão. Em grande parte localizada no semiárido brasileiro, caracteriza-se pela intermitência das chuvas, com precipitação média anual muito abaixo da média nacional. O principal uso da água na região é a irrigação.



Região Hidrográfica São Francisco


A Região Hidrográfica São Francisco ocupa 7,5% do território brasileiro, abrangendo sete estados: Bahia, Minas Gerais, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Goiás e Distrito Federal. A precipitação média anual na RH São Francisco é muito abaixo da média nacional, apresentando frequentes situações de escassez de água. Entretanto, a RH tem importante papel na geração de energia para a região nordeste do país.



Região Hidrográfica Atlântico Sul


A Região Hidrográfica Atlântico Sul ocupa 2,2% do território nacional e abrange parte dos Estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Destaca-se por abrigar um expressivo contingente populacional, pelo desenvolvimento econômico e por sua importância turística. Possui densidade demográfica cerca de 3 vezes maior que a média brasileira.



Região Hidrográfica Paraguai


A Região Hidrográfica Paraguai ocupa 4,3% do território brasileiro, abrangendo parte dos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, o que inclui a maior parte do Pantanal-matogrossense, a maior área úmida contínua do planeta. A densidade demográfica da região é cerca de 3,5 vezes menor que a média nacional.



Região Hidrográfica Paraná


A Região Hidrográfica Paraná ocupa 10% do território brasileiro, abrangendo sete estados: São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Goiás, Santa Catarina e Distrito Federal. É a região mais populosa e de maior desenvolvimento econômico do país. Por isso, possui as maiores demandas por recursos hídricos, tendo como destaque o uso industrial. É também a região com maior área irrigada e maior aproveitamento do potencial hidráulico disponível.



Região Hidrográfica Uruguai


A Região Hidrográfica Uruguai ocupa cerca de 3% do território brasileiro, abrangendo porções dos estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. A região possui atividades agroindustriais desenvolvidas e grande potencial hidrelétrico. O clima é temperado, com chuvas distribuídas ao longo de todo o ano, mas com maior concentração no inverno (maio a setembro).






REFERÊNCIAS

AGÊNCIA NACIONAL DE ÁGUAS. Conjuntura dos recursos hídricos no Brasil: 2013. Brasília: ANA, 2013. Disponível em: <http://arquivos.ana.gov.br/institucional/spr/conjuntura/ANA_Conjuntura_Recursos_Hidricos_Brasil/ANA_Conjuntura_Recursos_Hidricos_Brasil_2013_Final.pdf>. Acesso em: 30 abr. 2021.
AGÊNCIA NACIONAL DE ÁGUAS. Conjuntura dos recursos hídricos no Brasil: regiões hidrográficas brasileiras. Brasília: ANA, 2015. Disponível em: <http://arquivos.ana.gov.br/institucional/sge/CEDOC/Catalogo/2015/ConjunturaDosRecursosHidricosNoBrasil2015.pdf>. Acesso em: 30 abr. 2021.

Os Domínios Morfoclimáticos

Existe uma dificuldade para dividir um território em paisagens naturais pois os limites de cada um dos elementos dessas paisagens, em geral, não coincidem. Assim, em determinado compartimento do relevo, nem sempre o clima ou a vegetação são semelhantes em toda a sua extensão. E um determinado tipo de clima pode abranger um planalto e uma planície, bem como vários tipos de vegetação.

Em áreas das ciências da natureza, utiliza-se a abordagem de Biomas, como o caso da biologia, mas para entendimento da Geografia, a nomenclatura Bioma é um pouco rasa por levar em consideração apenas os aspectos de fauna e flora, sendo que a Geografia estuda também as formas de relevo, os tipos climáticos, as redes de drenagem e corpos hídricos e as formações pedológicas. Classificar as paisagens naturais, na Geografia, em biomas é negar os próprios estudos desenvolvidos dentro da ciência geográfica.

Por causa da importância do relevo e do clima na formação de cada conjunto, em lugar da expressão paisagem natural ou bioma, costuma-se utilizar a abordagem adotada pelo Geógrafo brasileiro Aziz Nacib Ab´Saber para classificação da paisagem natural do Brasil, levando em consideração as áreas que predominam um tipo particular proveniente da interação entre o relevo, o clima, os solos e a vegetação, os chamados Domínios Morfoclimáticos. Mas isso não significa que cada conjunto seja precisamente delimitado, pois há uma superposição, uma coincidência, entre os domínios morfoclimáticos, que são chamadas de faixas de transição, onde aparecem elementos que ora são típicos de um conjunto, ora de outro.


Além disso, o elemento mais característico, que marca visualmente a paisagem é a vegetação, o que se torna evidente no nome de cada domínio morfoclimático. A vegetação sempre reflete as mudanças que ocorrem nos demais elementos. Se o clima muda num local, se o mesmo ocorre num outro local com a umidade (maior ou menor presença de água), com o relevo (mais baixo ou mais elevado) ou com o solo, fatalmente a vegetação desse local vai evidenciar essa mudança, com novos tipos de plantas substituindo aqueles que existem nas vizinhanças.


Mapa de Domínios Morfoclimáticos Brasileiros



DOMÍNIO AMAZÔNICO
O Domínio Amazônico, ou simplesmente Amazônia, é formado, em sua maior extensão, por terras baixas. Apenas ao norte, na região serrana do planalto das Guianas, é que a floresta ganha maiores altitudes, mas essas áreas montanhosas florestadas constituem exceções, pois a regra nesse domínio são as depressões e algumas planícies aluviais. A floresta Amazônica, ou latifoliada equatorial, é o elemento marcante dessa paisagem.

A hidrografia é riquíssima. Além do enorme rio principal e dos grandes afluentes, existem os furos (braços de água que ligam dois rios ou um rio e um lago), os igarapés (pequenos e estreitos cursos de água), os paranás-mirins (braços de rios que contornam as ilhas fluviais) e os lagos de várzea.

No passado, imaginou-se que os solos amazônicos fossem férteis, em virtude da exuberância da floresta que cobre a região. Mas inúmeras experiências demonstraram que, quando se derruba a floresta para plantio, o solo perde a fertilidade. Isso ocorre porque é a floresta que garante a reposição de minerais e matéria orgânica do solo. Estima-se que anualmente caem, por hectare, cerca de oito toneladas de folhas mortas, galhos, flores e frutos e esse material é decomposto e enriquece o solo amazônico. Além disso, a vegetação densa e fechada protege o solo da erosão causada pelas chuvas, impedindo que uma quantidade grande de minerais seja carregada pelas enxurradas até os rios e o oceano. Por isso se diz que a vegetação vive de si própria na Amazônia, pouco dependendo do solo. E foi por isso também que falharam tantas tentativas de estabelecer grandes plantações monocultoras na região.


No leste da região amazônica, desde a década de 1960, a implantação de grandes projetos minerais e agropecuários e a ocupação humana desordenada constituem fatores da degradação florestal. Principalmente a partir da década de 1970, o avanço da fronteira agropecuária se deu em direção às regiões de Cerrado do Centro-Oeste e áreas do sul do domínio da Amazônia. Essas são as áreas mais sujeitas a desflorestamentos recentes.

A presença da extensa rede hidrográfica da Bacia Amazônica e as variações de relevo, solo e clima são responsáveis pela existência de florestas fluviais alagadas e florestas de terra firme. A mata de terra firme (80% da floresta) se desenvolve em áreas de maiores altitudes, livres de inundação. A intensa atividade madeireira visa às árvores de maior porte (cedro, castanheira e mogno). A mata de igapó ou caaiapó se situa em terrenos próximos ao rio, constantemente alagados. A mata de várzea se desenvolve em terrenos baixos, sujeitos à inundação. As duas florestas apresentam grande diversidade de espécies, possibilitando o extrativismo vegetal. A piaçava e as palmeiras são extraídas na mata de igapó. O látex para a fabricação de borracha é extraído das seringueiras, na mata de várzea.




DOMÍNIO DO CERRADO
Corresponde, de maneira geral, ao clima tropical típico ou semiúmido, à vegetação de cerrado e ao planalto Central do Brasil, com suas "chapadas" e "chapadões". Os solos que predominam nesse domínio são pobres e ácidos. A introdução do cultivo da soja em trechos do Cerrado exige, para corrigir a acidez, o método de calagem (adição de calcário ao solo).

O Cerrado é constituído por dois estratos: um superior, composto de arbustos e de pequenas árvores retorcidas e dispersas, e um inferior, formado de gramíneas. Desenvolve-se em clima tropical com verão úmido e inverno seco. Por esse motivo, seu aspecto é verdejante no verão e seco no inverno. No Cerrado nascem cursos de água que escoam para as bacias dos rios Amazonas, Tocantins, Parnaíba, São Francisco, Paraná e Paraguai. Há uma variedade muito grande de cerrados, que podem aparecer em áreas periféricas ou de transição para a Floresta Amazônica e para a Caatinga. De acordo com a fertilidade do solo ou com a presença de água apresentam altura e biomassa diversificadas. Aparecem, por exemplo, o Cerradão, mais florestado, o cerrado típico e o campo limpo, com predomínio de vegetação arbustiva e gramínea. 


Imagens de satélite mostram que 75% da área original do Cerrado já está desmatada. Se a devastação continuar nesse ritmo, até 2030 o bioma pode desaparecer. A biodiversidade do Cerrado também está ameaçada. Esse bioma foi explorado economicamente durante muito tempo pela atividade pecuária. A utilização de tecnologias modernas para corrigir os solos ácidos (aplicação de calcário) possibilitou a intensificação da produção agrícola, fato que vem acelerando a devastação. Com o avanço da fronteira agropecuária para o Centro-Oeste, o bioma já conta com mais de 40% de sua área antropizada.

Principalmente após a década de 1940 (início da marcha do povoamento para o oeste), diversos fatores contribuíram para a devastação do Cerrado, como a mudança da capital para Brasília, a implantação de rodovias, a construção de grandes obras de infraestrutura e o uso abusivo da água para a irrigação. As principais causas da devastação, contudo, foram o desmatamento e as queimadas para incorporação de novas áreas para a agricultura comercial (soja, milho).




DOMÍNIO DOS MARES DE MORROS
Esse domínio paisagístico localiza-se na porção litorânea do país, desde o Nordeste até o Sul, penetrando mais para o interior no Sudeste, particularmente em São Paulo. Corresponde, mais ou menos, à unidade de relevo denominada Planaltos e Serras do Atlântico Leste-Sudeste.

O aspecto característico da paisagem está nas formas de relevo conhecidas mares de morros, que têm origem em serras erodidas principalmente pelas chuvas. Isso ocorre porque esse domínio se localiza sobre terrenos cristalinos onde predominam os granitos e gnaisses. Estes, ao sofrerem a erosão causada pelo clima tropical quente e úmido, adquirem o aspecto de morros com as vertentes arredondadas, ou de meias-laranjas. Esse domínio paisagístico era originariamente coberto pela floresta latifoliada tropical (Mata Atlântica), hoje quase extinta.


Por se localizar relativamente próxima ao litoral, essa paisagem natural vem sendo intensamente ocupada desde a época colonial, razão por que abriga hoje as maiores densidades demográficas do país e sedia grandes metrópoles. Mas, do ponto de vista das construções humanas, constitui um meio físico complexo e difícil, se comparado ao de outras paisagens naturais do Brasil. É a região mais sujeita a processos erosivos em todo o território brasileiro, por causa do relevo acidentado e do clima quente e úmido. 

O intemperismo químico atinge profundamente as rochas cristalinas, e a erosão causada pelas chuvas é intensa, ocasionando deslizamentos nas estradas e nos centros urbanos. Consequentemente, na construção de estradas, toma-se necessário levar em conta os deslizamentos frequentes que interditam trechos de rodovias construídas sem obras de conservação adequadas ao meio natural, como vegetação com raízes longas nas margens da estrada e nos declives, para impedir deslizamentos. A erosão dos solos é também o maior problema da agricultura nesse domínio, que exige técnicas adequadas para evitá-la.

A Mata Atlântica é uma formação muito densa, contando com a maior biodiversidade mundial em árvores e desenvolve-se em clima tropical úmido, principalmente em escarpas voltadas para o mar e nas planícies costeiras. Os ventos úmidos vindos do mar se condensam e precipitam em áreas mais altas.
 
Reduzida a apenas 7,8% de sua área original, a Mata Atlântica vem sofrendo intensa alteração desde o período colonial, contando com 71% de área antropizada. Entre os principais motivos dessa drástica redução da floresta estão: exploração madeireira, monoculturas de exportação, pastagens, caça ilegal, queimadas, expansão urbana e poluição ambiental.




DOMÍNIO DA CAATINGA
Trata-se de uma região semiárida coberta pela caatinga, vegetação adaptada ao clima com baixo índice de pluviosidade. Os solos são pouco profundos por causa das poucas chuvas e do predomínio do intemperismo físico. Mas, justamente pela escassez de chuvas, a erosão e a lixiviação dos solos pelas enxurradas têm pouca importância, ao contrário do que ocorre no restante do país.

A vegetação é do tipo xerófita, com folhas pequenas e estreitas (ou espinhos, como as cactáceas) e cascas grossas - estruturas próprias para o armazenamento de água. As árvores retorcidas e arbustos espinhentos perdem as folhas periodicamente com a seca. Com grande variedade biológica, os animais e vegetais são adaptados à escassez de água.


Apesar de pouco profundos e às vezes salinos, os solos da Caatinga contêm uma boa quantidade de minerais básicos para as plantas. O maior problema é realmente a escassez e o regime incerto das chuvas, que poderia ser corrigido com práticas adequadas de irrigação.

O relevo desse domínio caracteriza-se pela existência de depressões em quase toda a sua extensão, por ser um território antigo e fortemente erodido. Algumas áreas mais úmidas, denominadas brejos, aparecem às vezes na Caatinga, localizando-se em algum vale fluvial úmido ou, principalmente, em trechos de maior altitude. Nesses locais, a ocupação humana é caracterizada, desde a época colonial, pelo desenvolvimento da pecuária extensiva de corte.

Em muitas regiões da Caatinga está em curso um processo de desertificação. A exploração predatória da vegetação, as dificuldades de acesso à água, a concentração de terras e de poder nas mãos de poucos explicam por que essa região abriga uma população com os mais baixos índices de desenvolvimento humano do país e grandes desigualdades sociais.




DOMÍNIO DA ARAUCÁRIA
Trata-se da região de clima subtropical e do planalto Meridional do Brasil (ou planaltos e chapadas da bacia do Paraná), de terrenos predominantemente sedimentares-basálticos. Nessa região de planaltos e chapadas, revestida por bosques de araucárias (foto acima, à direita) de diferentes extensões, dominam as médias altitudes, com variações entre 800 e 1300 metros.

Os solos são muito diversificados. Aparecem tanto os de grande fertilidade natural - como as manchas de terra roxa a oeste do Paraná e os brunizens em trechos do Rio Grande do Sul quanto os solos ácidos e pobres em minerais básicos.


Formação vegetal subtropical de coníferas, a Mata de Araucárias é conhecida também como Mata dos Pinhais, pois nela predomina o pinheiro-do-paraná (Araucária angustifolia), associado a outras espécies como a imbuia, o cedro, o ipê e a erva-mate. O pinheiro é uma espécie aciculifoliada, ou seja, apresenta folhas em forma de agulha.

Por ser uma formação de clima mais ameno, aparece principalmente nas áreas de maiores altitudes, como nos planaltos da Bacia do Paraná, nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Atualmente restam menos de 3% de sua área original. A extração de madeira para móveis e papel, sem reposição das árvores, as queimadas para formação de pastos para a pecuária, a agricultura (soja, trigo, milho) e a instalação de indústrias são algumas atividades que levaram a floresta quase à extinção.



DOMÍNIO DAS PRADARIAS


Nos Campos, também conhecidos como Pampas ou Campanha Gaúcha, o relevo é baixo, com suaves ondulações (coxilhas) e coberto por vegetação herbácea das pradarias (principalmente gramíneas). São predominantes no sul do Rio Grande do Sul, em clima subtropical, mas aparecem também em regiões de serras (Chapada Diamantina, Pico de Itatiaia) e em áreas inundáveis (Maranhão, Ilha de Marajó, Amapá). Com a existência natural de pastagens, a ocupação econômica desse bioma pela pecuária extensiva de corte, com gado tipo europeu, tem proporcionado altos rendimentos. Também se tem desenvolvido a rizicultura (produção de arroz) irrigada. A área antropizada do bioma corresponde a quase 50% do total.





ÁREAS DE TRANSIÇÃO

Na Mata dos Cocais predominam as palmeiras, como o babaçu, o buriti, a oiticica e a carnaúba. Constitui uma mata de transição entre os biomas da Caatinga, da Floresta Amazônica e do Cerrado. Aparece nos estados do Maranhão, Piauí, Ceará e Tocantins. Os produtos dos coqueiros são de alto valor para as populações locais. A carnaúba aparece em áreas de transição com a Caatinga, mais secas, e tem grande aproveitamento: do coco se extrai óleo; de suas folhas, cera; a madeira é utilizada para construção de casas; e suas folhas, para telhados. Nas áreas mais úmidas, a oeste, no contato com a Floresta Amazônica, predomina o babaçu. O óleo desse coqueiro é bastante utilizado na indústria alimentícia e de cosméticos, e suas folhas, para esteiras, chapéus e cestos. Embora seus coqueiros sejam aproveitados em atividades extrativas que não prejudicam a mata, a expansão da pecuária pode ameaçá-los. 



O Pantanal é um complexo heterogêneo composto de cerrados, florestas, campos, charcos inundáveis e ambientes aquáticos (lagoas, riachos). Desenvolve-se em terrenos baixos (planícies) e, devido à baixa declividade do terreno, a água que extrapola os canais dos rios escoa lentamente pelo terreno, mantendo-o alagado durante um período do ano (período de chuvas nas cabeceiras dos rios). O clima é quente e úmido no verão (média em torno de 32°C) e seco no inverno (média de 21 °C),quando a temperatura pode baixar rapidamente, com possibilidade de geadas. Os solos do Pantanal são geralmente arenosos.

O Pantanal situa-se no sul do Mato Grosso e no noroeste do Mato Grosso do Sul, além de se estender pelo norte do Paraguai e leste da Bolívia. Assim, interliga a Bacia Amazônica e a Bacia Platina, formando um corredor biogeográfico que dispersa uma variada flora e fauna alimentada por um fluxo constante de nutrientes proveniente das inundações. 


A agricultura comercial no entorno do Pantanal recebe grande aplicação de agrotóxicos. O relevo baixo provoca um lento escoamento das águas dos rios e os produtos químicos ficam retidos no ambiente, contaminando rios, banhados, solos e provocando mortandade de animais.

A atividade econômica tradicional na região é a pecuária, facilitada pelas pastagens naturais. Após a década de 1970, com a expansão do agronegócio, plantações de soja e de algodão têm causado perturbações no solo, assoreamento e poluição por agrotóxicos nos rios. Em 2004 o Pantanal já tinha 44% de sua área descaracterizada por desmatamentos. A pesca e a caça predatórias, o garimpo de ouro e pedras preciosas, o turismo descontrolado e o crescimento da população são alguns dos outros problemas do Pantanal.


O Mangue é o principal ecossistema das áreas costeiras, localizado em solo salino e lodoso ou em sedimentos arenosos, sujeitos às variações da maré. Desenvolve-se em clima tropical e subtropical, em áreas alagadas próximas ao mar. Conta com vegetação exuberante (arbustiva e arbórea) adaptada às inundações. Os manguezais são áreas de transição entre a vida terrestre e a vida marinha, fornecendo matéria orgânica para os estuários. Constituem berçário natural para diversas espécies, abrigando algumas que servem de alimento para peixes, crustáceos, moluscos, aves e mamíferos.












REFERÊNCIAS

AB’SABER, A. N. Domínios morfoclimáticos e províncias fitogeográficas no Brasil. Orientação, São Paulo, n. 3, p. 45-48, 1967. [Republicado em Grandes paisagens brasileiras. São Paulo: Eca, 1970a; e como parte do artigo “Províncias geológicas e domínios morfoclimáticos no Brasil”. Geomorfologia, São Paulo, n. 20, p. 1-26, 1970b.

AB’SABER, A. N. Os domínios morfoclimáticos na América do Sul: primeira aproximação. Geomorfologia, São Paulo, n. 52, p. 1-22, 1977a. [Republicado em Vegetália, São José do Rio Preto, SP, n. 15, p. 1-20, 1980.

AB’SÁBER, A. N. Potencialidades paisagísticas brasileiras. In: Recursos Naturais, Meio Ambiente e Poluição; Contribuição de um ciclo de debates. Rio de Janeiro: FIBGE-SUPREN, 1977b, v. 1, p. 19-38. [Republicado em AB’SÁBER, A. N. Domínios de natureza no Brasil: potencialidades paisagísticas. São Paulo: Ateliê Editorial, 2003, p. 9-26.

DANTAS, M. E.; ARMESTO, R. C. G.; ADAMY, A. "Origem das paisagens". In: SILVA, C. R. (ed.). Geodiversidade do Brasil: conhecer o passado, para entender o presente e prever o futuro. Rio de Janeiro: Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais/Serviço Geológico do Brasil (CPRM/SGB), 2008. p. 33-56.

MORRONE, J. J. América do Sul e Geografia da Vida: Comparação de Algumas Propostas de Regionalização. In: CARVALHO, C. J. B.; ALMEIDA, E. A. B. (eds). Biogeografia da América do Sul: Padrões e Processos. 1. ed. Editora Roca, 2011.

Dia da Terra


Instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2009, o Dia da Terra serve para incentivar governos de países, órgãos da ONU, sociedade civil, organizações não-governamentais e demais entidades a desenvolver consciência sobre a importância de preservação do meio ambiente. Em 2021, o Dia da Terra trará em sua comemoração a Cúpula do Clima, liderada pelo presidente dos EUA, Joe Biden, que acontecerá online, nos dias 22 e 23 de Abril. 

Entre os países participantes está o Brasil, representado pelo presidente Jair Messias Bolsonaro, que vem sendo diretamente pressionado sobre a questão do desmatamento na região amazônica, e que recentemente lançou o Plano Amazônia, que visa diminuir o desmatamento ilegal na floresta. Vale ressaltar que este é o primeiro programa ligado ao meio ambiente criado pelo governo atual desde o início do seu mandato, em 2019.

O Plano Amazônia tem como proposta a diminuição do desmatamento à média histórica do período de 2016-2020, proposta que vem sendo criticada por especialistas, já que esta "diminuição" é 16% maior que as taxas registradas nos anos anteriores ao governo Bolsonaro, ou seja, ao invés de reduzir o desmatamento o manterá acima da média.

Após diversas reuniões, entre os representantes de várias nações, sobre a Cúpula do Clima, (sendo o Brasil representado por Ricardo Salles) se concluiu que a posição do governo brasileiro é a de que o Brasil já fez sua parte sobre as questões climáticas, e lança a proposta indecorosa de só se comprometer com a redução de 40%, do desmatamento em um ano, na Amazônia, após receber US$ 1 bilhão.

Além disso, em 2019, Alemanha e Noruega suspenderam o financiamento do programa Fundo Amazônia, criado em 2008 com o objetivo de financiar projetos mais sustentáveis e de preservação à Amazônia brasileira. O motivo dos países suspenderem o financiamento foi devido a elevação nos índices de queimadas e desmatamento ilegal na amazônia naquele ano.

Em meio às diversas polêmicas envolvendo o atual governo e o meio ambiente, tais quais a flexibilização das regras de exportação de madeira nativa do Brasil, suspensão de programas que financiam a proteção ambiental e a diminuição de investimento nas agências de defesa ambiental (ICMBio e IBAMA), o mundo olha para o Brasil. Ativistas, chefes de estado e especialistas criticam e cobram bom senso das autoridades brasileiras sobre a situação atual.

Em sua última coletiva de imprensa, Greta Thunberg diz que Bolsonaro falhou em assegurar as condições de vida "presentes e futuras" para os brasileiros, sobretudo porque segundo ela, as questões de saúde e meio ambiente estão diretamente ligadas.

Diante de todos esses fatos, se faz necessário perceber as vantagens de se estar a par das situações políticas do país, o povo, mais do que ninguém, tem o poder de decidir e lutar por representantes coerentes que façam valer a confiança depositada neles. O Brasil precisa de cuidado e responsabilidade, sejam eles no aspecto ambiental, econômico, de saúde, entre outros.



Hoje é 22 de abril, o dia da Terra, portanto deixo aqui uma reflexão, você acha que mudanças políticas também são uma maneira de contribuir para a preservação do planeta?




Dia Internacional da Mulher



Não há uma data de um acontecimento especifico, mas um conjunto de mobilizações das mulheres no início do século passado, que lutaram pela igualdade de direitos e condições de trabalho em diversos países do mundo como as melhorias nas condições de trabalho que ocasionaram as mortes de centenas de operárias numa fábrica nos EUA e várias marchas pela vida e pelo direito a igualdade protagonizadas pelas mesmas nos continentes da América e Europa e em 08 de março de 1917 houve uma marcha das mulheres russas contra a participação da nação na guerra e contras as mazelas sociais por parte do governo que desencadeou o caos de fome e miséria no país, que deu bases e forças para a Revolução Russa.

E com 100 anos desde o início destas lutas, as questões de desigualdade de gênero ainda persistem, e aqui no Brasil o dia 08 de março é marcado por reivindicações sobre igualdade salarial e protestos contra a criminalização do aborto e a violência contra a mulher. Em nosso país a data é ainda, destinada ao reconhecimento de todas as conquistas alcançadas pelas lutas travadas pelo público feminino, como o direito de estudar as séries primárias, o direito ao voto, o estatuto da mulher e a lei do divórcio, bem como a constituição de 1988 e o reconhecimento da igualdade entre homens e mulheres.

Ao longo dos anos as mulheres lutaram, conquistaram e inspiravam tantas outras a continuar buscando melhorias sociais. A importância das mulheres na Ciência é algo incontestável e na Geografia desempenham um papel de afirmação e pluralidade no pensamento geográfico. São milhares de geógrafas que fazem dia a dia a construção da Ciência Geográfica. No Brasil, desde a institucionalização da Geografia na década de 1930 as mulheres estiverem ativas no cenário e contexto político-acadêmico. A primeira tese de doutorado em Geografia defendida no Brasil, na USP, foi de uma mulher, Maria da Conceição Vicente de Carvalho!
Maria da Conceição Vicente de Carvalho


São inúmeras geógrafas atuando no desenvolvimento da Geografia brasileira que enriquecem a produção e difusão de conhecimento, com sua dedicação e qualidade na formação profissional, crítica e cidadã de muita gente. Parabéns hoje e todos os outros dias do ano!


Ah e saca só, os projetos Geografirme e Norte Geográfico se uniram para reconhecer as mulheres que lutam, conquistam e inspiram através da ciência e do ensino da Geografia na Amazônia, em especial no Estado do Pará. Vale a pena conferir as publicações que fizemos em nossas redes sociais como Instagram e Facebook.

O BBB é reflexo da sociedade brasileira?

 

BBB é a abreviação de Big Brother Brasil, uma versão brasileira do reality show Big Brother, produzido e exibido pela Rede Globo. Sua primeira edição teve início em 29 de janeiro de 2002, com uma segunda temporada sendo exibida no mesmo ano. A partir da terceira edição, o programa passou a ser anual, sendo realizado atualmente de janeiro a metade ou final de abril.
O programa consiste no confinamento de um grupo de pessoas em uma casa cenográfica, sendo vigiados por câmeras 24 horas por dia, sem conexão com o mundo exterior. Os participantes não podem se comunicar com parentes e amigos, ler jornais ou usar de qualquer outro meio para obter informações externas. Tais participantes são selecionados pela produção do programa através de processos de inscrição, entrevistas e seleção e os famosos são convidados, mas podem optar por querer ou não entrar na casa e todos têm o direito de desistir a qualquer momento do programa. A cada semana, um participante é eliminado do programa por meio de votação do público. Os participantes têm como objetivo vencer as provas, superar as eliminações semanais e permanecer na casa até o último dia, quando o público escolherá quem será o ganhador do grande prêmio final.

O programa carrega entre outros, o conceito do livro 1984 de George Orwell, no citado romance o personagem do Grande Irmão (Big Brother) é o líder supremo do cenário (a fictícia Oceânia) que controla toda a população, um poder cínico e cruel que vigia todos. Pois bem, não daremos tantos detalhes para não perder o foco do post nem para dar spoilers maiores do livro, de uma realidade fictícia e de pouco sentido histórico.
As edições passadas do BBB sempre tiveram polêmicas de diversas ordens como preconceitos disseminados, brigas internas, favorecimento de candidatos, manipulação entre outros, mas a edição 2021 é a primeira a apresentar negros numa quantidade expressiva, em sua maioria pessoas negras que já possuem certo grau de influencia no meio artístico e em redes sociais.
O que chama atenção ainda por cima, e principalmente ao Geografirme, é como o público (que assiste ou não, haja vista que o programa tem enorme repercussão) está encarando as situações que ocorrem dentro da casa vigiada, chegando a considerar que ali naquele reality show, existe a verdadeira realidade da sociedade brasileira. Será mesmo que o BBB representa a vida real e cotidiana dos brasileiros?


Vamos à reflexão geográfica, utilizaremos a categoria de espaço pois é a totalidade dinâmica em que as relações nele ocorrem baseadas na materialidade histórica produzida e através da categoria buscamos a compreensão mais geral das relações sociedade x natureza. O espaço geográfico brasileiro como vemos hoje é produto das realizações passadas, contudo sua formação social passou por processos de reformulação intensa com a chegada dos europeus e desenvolvimento de atividades econômicas. Aglomerados populacionais, vilas e cidades se desenvolveram e a base de todo esse desenvolvimento foi fundamentado nas relações de escravidão que duraram por mais de 300 anos no Brasil, com o fim oficial em 1888.

100 anos se passaram, e em 1988 foi então implementada a constituição mais recente que conhecemos, tendo reconhecimento internacional pelo seu grau de desenvolvimento e de respeito à Declaração Universal dos Direitos Humanos. Na Constituição está previsto como crime as práticas racistas e de exclusão ou discriminação de pessoas por classe, cor ou gênero, como uma forma de reparação das mazelas sociais e políticas do governo brasileiro durante muitos anos. A questão fundamental é que se resgatarmos tudo que há de produção no espaço geográfico brasileiro, há ações enraizadas e transformadas desde a época da escravidão há mais de 300 anos e há também as ações mais recentes desde o fim da escravidão e outras mais vanguardistas dos últimos 30 desde a Constituição de 1988. Fica a reflexão agora à você, leitor. Se o espaço é resultado das novas e antigas produções e ações materializadas na história e o hoje é reflexo do que foi ontem, há como apagar em definitivo o passado da escravidão negra no Brasil?
Também não iremos nos ater ao que significa racismo ou se existe racismo reverso, haja vista que todos deveriam já saber do que isso significa. Mas caso não se encontres totalmente a vontade de discutir essa temática, indico a você ler as matérias do Xadrez Verbal o artigo de Marcos Candido e do Instituto Modo Parités.

Agora vamos a alguns dados importantes para contribuir em sua reflexão:
- Em 2018, os negros eram a maior parte da força de trabalho no Brasil, correspondendo a 54,9%;
- Os negros ganham menos no Brasil do que os brancos;
- O rendimento médio domiciliar per capita de pretos e pardos era de R$ 934 em 2018, no mesmo ano, os brancos ganhavam, em média, R$ 1.846 – quase o dobro;
- Entre os 10% da população brasileira que têm os maiores rendimentos do país, só 27,7% são negros;
- A pobreza extrema que é um índice quando a pessoa vive com menos de US$ 1,90 (algo que corresponde a mais ou menos 10 reais) por dia – atinge 8,8% da população negra no Brasil e 3,6% da população branca;

Os dados acima foram extraídos do estudo de Desigualdades Sociais por Cor ou Raça no Brasil, do IBGE.

Agora façamos a mesma reflexão sobre a proporção de atores, pintores, artistas negros e brancos, qual a maioria que você facilmente encontra nos meios de comunicação?
Por isso a realidade onde pretos dominam e controlam a situação só pode existir na ficção ainda, porque na maioria das escolas privadas, nos centros urbanos, nos locais sofisticados, nos maiores veículos de comunicação, filmes. Quem domina é a população branca!

E outra situação mencionada anteriormente, o BBB se trata de um programa televisivo em canal aberto, os participantes que lá estão confinados passaram por diversos processos de seleção e filtros até a produção encontrar os perfis ideais para o programa. Além disso, existem diversas edições, cortes e roteirizações antes do programa ir ao ar, que dá liberdade para a produção contar a narrativa que lhe for conveniente! "Ah mas existe paper view e lá tem tudo sem edição". Sim, mas grande parte da população não tem acesso a esse meio e nem interesse, o que chega na maioria da população são as narrativas da TV ABERTA.


Isso não teria nenhum problema se o reality fosse pelo caminho apenas do entretenimento, mas como a edição 2021 do BBB caminhou para um lado mais polítizado, a mesma está gerando muito mais desinformação e distorcendo a realidade brasileira, marchando em direção ao retrocesso, pois convenhamos, não existe militância de movimentos identitários num programa que coloca uns contra ou outros e que premia com uma boa quantia em dinheiro a pessoa que ficar até o final e tampouco é foco do programa tratar de questões tão complexas, pensem conosco: o programa é de entretenimento, as pessoas que o assistem buscam entretenimento, logo, não é de interesse do público ver discussões desta ordem e quando elas ocorrem num espaço que não é adequado e com nenhuma orientação da produção, a tendência é cometer erros, apresentar uma visão deturpada sobre algo muito sério, e levar ao público um conteúdo superficial e editado sob uma narrativa que sempre vai buscar um vilão e um mocinho. E só quem perde é a sociedade brasileira que passa a compreender aquilo enquanto realidade do país.


O BBB não só não representa o Brasil, como o distorce e fornece argumentos aos pensamentos reacionários que tanto prejudicam a ciência e sociedade brasileira. A vida real neste programa está somente na música tema de autoria de Paulo Ricardo.









REFERÊNCIAS


BENEDITO, D. Os deserdados do destino: construção da identidade criminosa negra no Brasil. Revista Palmares Cultura Afro-Brasileira; 52: 63. Brasília, Fundação Palmares, 2005. Disponível em: http:// www.palmares.gov.br/sites/000/2/download/ revista2/revista2-i52.pdf . Acesso em fev. 2021.

FERNANDES, F. In: NASCIMENTO, A. do. O genocídio do negro brasileiro: processo de um racismo mascarado. Prefácio. Rio de Janeiro: Paz e Terra , 1978

IBGE. Desigualdades Sociais por Cor ou Raça no Brasil. Estudos e Pesquisas. Informação Demográfica e Socioeconômica n.41. 2019. Disponível em: https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv101681_informativo.pdf Acesso em: 01 março de 2021.

SANTOS, Milton. Técnica, espaço, tempo: globalização e meio técnico-científico-informacional. 5. ed. São Paulo: Edusp, 2008.

ACRE

 O estado o Acre está situado na Região Norte, no extremo oeste do Brasil, sua capital é Rio Branco e quem nasce no estado é chamado acreano ou acreano. Sua área compreende 164.123,738 km² e ocupa, entre os demais estados da federação, o 16º lugar em área territorial.

O estado faz fronteira com o estado do Amazonas ao norte e em seu extremo ocidental – em uma estreita faixa da fronteira, limita-se com Rondônia. Em sua porção noroeste, faz também fronteiras internacionais com o Peru e a Bolívia. É no Acre que se encontra o ponto mais ocidental do Brasil, a nascente do rio Moa.





Relevo
O território acreano é quase todo recoberto por formações de planícies, que raramente alcançam 300 metros de altitude. A planície amazônica alcança a porção sul do estado e as altitudes muito baixas fazem com que alguns autores classifiquem essa formação como uma depressão relativa.


Nas terras mais ao sul do estado, o relevo permanece plano, no entanto as altitudes são um pouco mais elevadas.

Clima
O clima característico do Acre é o equatorial, que apresenta durante todo o ano altas temperaturas e elevada umidade. Os moradores locais classificam as estações do ano em verão e inverno. Os meses chuvosos, de setembro a maio correspondem ao inverno, que ao contrário do que poderíamos imaginar, ainda possui altas temperaturas. O verão, nos meses de junho, julho e agosto é o verão, a estação mais seca, embora ocasionalmente ainda ocorram chuvas. Além de chuvas regulares, o clima também apresenta baixa amplitude térmica – ou seja, as temperaturas variam pouco entre a mínima e a máxima. O estado tem um dos mais altos índices pluviométricos – volume de chuvas – do país, que ultrapassam os 2.100 milímetros anuais.

Hidrografia
Os rios acreanos, possuem grande importância para a navegação, transporte de mercadorias e pessoas e para a fixação das populações ribeirinhas. Os principais rios do Acre são: Uma pequena parte do Rio Negro, Rio Moa, Breu, Tarauacá, Envira, Alto Purus, Purus, Iaco, Acre, Tejo, Rio Abunã e Rio Juruá.

Toda essa contextualização geográfica foi feita para tratarmos de um assunto sério, as enchentes de fevereiro de 2021 no estado do Acre que afetaram mais de 37 mil famílias que estão desalojadas ou desabrigadas em 10 municípios impactados pelas enchentes. O Acre está sob estado de calamidade, decretado pelo governador Gladson Cameli (PP). A decisão ocorreu após a cheia dos rios Acre, Juruá, Envira, Iaco, Purus e outros mananciais, além do transbordamento de alguns igarapés.

Estima-se que são cerca de 130 mil pessoas impactadas diretamente pela cheia dos rios. Os 10 municípios atingidos são: Rio Branco, Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima, Tarauacá, Sena Madureira, Santa Rosa do Purus, Porto Walter, Feijó, Jordão e Rodrigues Alves. Se você puder analisar no mapa a seguir, podes conferir que os 10 municípios estão distribuídos por todo estado e se concentram nas faixas centrais



Apesar do município de Sena Madureira ser o mais atingido devido o rio Iaco, que cruza a cidade, estar 2,7 metros acima do nível de alagamento e 3,94 do nível de alerta, vamos focar nossas análises sobre o município de Rio Branco, que é a capital do Acre, cortada pelo Rio Acre que divide a capital em dois distritos. Veja na imagem a seguir:

Na imagem podemos ter a visão aérea da cidade de Rio Branco cortada pelo rio em sua fase de leito maior. O leito maior pode ser comumente encontrado nos meses de dezembro a fevereiro, podendo se estender até março. Percebam o quanto a ocupação urbana é próximo às margens do rio. Isso se trata de um padrão espacial de ocupação antigo na Amazônia que mantém registros até hoje de ocupações próximas às margens do rio para desenvolvimento das atividades econômicas e navegação.
O problema disto é que dentre outras situações, a região tem clima equatorial, elevado índice de pluviosidade (chuvas) e o estado do Acre é cortado por rios e possui relevo de baixa altitude.
Como consequência, em algumas situações o leito do rio chega em sua fase excepcional que "transborda" os limites normais, e como este ano o regime de chuvas foi maior que o esperado,  o limite dos rios excedeu ainda mais, as consequências podem ser notadas na imagem a seguir


A situação se torna ainda mais alarmante pois milhares de famílias ficaram desabrigadas e o governo estadual e municipal não tem espaços de abrigo suficiente para organizar as pessoas devido o cenário pandêmico que não permite aglomerações. E além do estado de calamidade pública declarado pelo Ministério Público do Acre, o mesmo estado está passando por uma crise sanitária de surto da dengue.

A iniciativa SOS Acre, promovida pelo Ministério Público do Estado (MPE/AC), em parceria com o Tribunal de Justiça (TJ/AC), ganhou força no último fim de semana com o apoio da acreana, atriz e ex-BBB, Gleici Damasceno, e do coordenador do Voz das Comunidades (RJ), Rene Silva


SOS Acre
As doações para o SOS Acre podem ser feitas em dinheiro, por transferência ou depósito bancário: 
Agência: 2359-0 
Conta Corrente: 14.300-6 
PIX: 63.589.899/0001-40


SOS Acre - CUT 
Para doar, basta enviar a quantia desejada por meio de PIX 
PIX 020.888.102-69. 

SOS Povos Indígenas do Acre e Sul do Amazonas PIX 
PIX (68) 99612-9696

Geografia Politica e Geopolítica são as mesmas coisas?

 

É muito comum o uso reccorente das duas expressões como se fossem sinônimos ou como se elas se referissem a mesma coisa. Talvez devido o histórico com que a geografia tende a suprimir muitas palavras e termos (um bom exemplo disso é quando substituímos as palavras dos índices social e econômico por um só termo: socioeconômico). 

Pois bem, a Geografia Política é a área de estudo da geografia sobre os Estados, seria basicamente a aplicação dos estudos da ciência geográfica na gestão e fortalecimento de uma nação. Termo desenvolvido em meados do século XIX por um geógrafo alemão, Friedrich Ratzel, esse estudo tinha como dois grandes pilares o determinismo geográfico, uma corrente de pensamento alemã que dizia que as localidades determinavam as potencialidades humanas, sociais, econômicas, e o espaço vital, que conceituava a região para o desenvolvimento de uma nação.

Friedrich Ratzel


 O contexto em que se insere esta Geografia Política é o momento da unificação Alemã em um Estado-Nação e da “expansão à oeste” que ocorreu nos Estados Unidos (faremos um post sobre o Destino Manifesto e Unificação Alemã).

Esses estudos de Ratzel foram influenciados pelas teorias de Charles Darwin – do livro A Evolução das Espécies – obra que deu base para muitos postulados científicos da época. Todas essas influências fazem Ratzel entender o Estado-Nação como um organismo vivo que evolui, tendo assim Nações mais evoluídas que outras. E essa evolução dar-se-á de acordo com as localidades.

Obs: caso uma nação fosse bem desenvolvida (evoluída), ela teria por seu dever, expandir seu espaço vital, tomando outros territórios até chegar ao progresso máximo (em breve também teremos um post sobre o espaço vital).

Já a Geopolítica difere um pouco por se tratar do estudo das relações entre os Estados (países, governos), políticas de alianças e prioridades. Os países com maior capacidade econômica irão organizar o mundo segundo a visão deles. Ou seja, irão impor uma ordem no mundo segundo seus interesses e prioridades.

Rudolph Kjéllen

Embora o termo Geopolítica ter sido proferido pela primeira vez em 1899 pelo cientista político sueco Rudolph Kjéllen, seu significado já era explorado por vários pensadores (como Aristóteles e Estribão na Grécia Antiga, Alberto Magno e Montesquieu, na idade média e era moderna, respectivamente) que alertavam sobre a importância geográfica na organização das sociedades.
De grosso modo, a Geografia política preocupa-se com as relações e caracterizações espaciais relacionadas ao poder do Estado, a Geopolítica pauta-se nas estratégias e relações internacionais envolvendo os Estados, suas soberanias e relações de poder.



REFERÊNCIAS

CASTRO, I. E. Geografia e política: território, escalas de ação e instituições. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2005.
COSTA, W. M. Geografia Política e Geopolítica. São Paulo: Edusp, 1992.

Resumo e usos das categorias de análise Geográfica

 Bom, provavelmente você deve ter conferido a série de posts sobre as categorias de análise da geografia, mas se ainda não leu, aproveite e leia agora, para evitar qualquer conflito de ideias pois este post agora é de forma resumida que iremos elucidar como funcionam as categorias que o profissional de geografia dispões para pesquisa e como os estudantes em geral devem compreender em seus diversos contextos.


Como explicamos, a Geografia para poder explicar melhor os fenômenos, dispõe de 5 categorias-chave e que são de uso em geral, como o Geógrafo Marcelo Lopes de Souza pontua em um de seus livros, são conceitos que fazem parte do arsenal de conceitos fundamentais para a pesquisa sócio-espacial. São eles: Espaço, Paisagem, Lugar, Território e Região. Cada categoria dessa possui sua importância e maior força conforme a escala de análise e os principios que irão orientar o estudo. Veremos um por um


Espaço

É a categoria mais geral, que segundo o geógrafo Milton Santos, o espaço é o conjunto inseparável do sistema de ações e sistema de objetos que se organizam e atribuem sentido um ao outro, sendo assim a totalidade de tudo que conhecemos hoje, por isso é a categoria chave mais geral da geografia, a escala de análise dela é infinita, partindo da micro até a macro, mais seu uso está mais associado aos processos gerais justamente pelo movimento de organização da sociedade se reproduzir em várias partes do globo.


Paisagem:

É a categoria mais voltada para o que o geógrafo Christofoletti considera como função estético-descritiva, pois seus estudos são obtidos através dos sentidos como visão, olfato, audição entre outros. E por estar muito ligada para as análises ambientais, a categoria é muito usada na parte de geografia física que analisa as interações entre os ambientes aquáticos e terrestres, como também as questões vegetais e climáticas. 



Lugar:

É a categoria geográfica que está mais próxima das escalas menores, foi resgatada através das correntes de pensamento mais contemporâneas e leva em consideração as questões mais ligadas ao subjetivo. Existe toda uma discussão do que seria o lugar, pois como existe a questão afetiva, os lugares variam conforme a subjetividade de cada pessoa, assim, quanto menor a escala, maior a afetividade e maior a relação de lugar. Esta categoria é muito usada para explicar os sentimentos de pertencimento e práticas culturais das pessoas enquanto coletividade. Assim, as manifestações culturais podem ser explicadas a partir das relações de lugar, afetividade, pertencimento e identidade.



Território:

É a categoria mais emblemática e de maior interesse no público geral, pois o território se remete ao espaço em que se constitui a partir de relações de poder, partindo da definição de poder mais usuais como Foucault e Arendt para sua disputa e conflito no espaço. O uso desta categoria é muito vasto, no espaço rural é muito forte nos estudos agrários quando utilizado para explicar as relações do campo, onde há os conflitos pelo uso do território pelos posseiros, fazendeiros, camponeses, grileiros etc. 

Mas o ponto que mais interessa o público em geral é que a área de estudo da geografia que se debruça pelo território é a Geografia Política e a Geopolítica, as quais são áreas que analisam as relações humanas, relações de estados e nações e explicam a existência de conflitos, uniões e interesses econômicos por parte dos mais diversos agentes (pessoas, orgãos, instituições, países e blocos).



Região:

Possivelmente a categoria mais comentada pelo blog por se tratar de um conceito que estava no centro da constituição desta ciência, ela é complexa e existe assim como as outras categorias pela ação da dinâmica natural ou da sociedade, mas também existe a partir do interesse do pesquisador que recorta o espaço num conjunto de áreas em comum a partir de características que o mesmo define previamente. Um exemplo disso são as divisões regionais do IBGE que divide o Brasil em 5 grandes regiões respeitando os limites administrativos estaduais, mesmo que um mesmo estado como o do Maranhão compartilhe características semelhantes a da região norte e nordeste. O interesse levado em conta pelo pesquisador nessa situação é a facilidade para processar os dados e explicar ao público em geral as divisões do Brasil.



Todas essas categorias estão entrelaçadas e não há existência exclusiva delas, ou seja, uma mesma área pode ser espaço e território, território e lugar, paisagem e lugar, espaço e região e assim sucessivamente.

Veja a seguir um esquema das categorias a partir da formulação do geógrafo Rogério Haesbaert que os classifica como constelação de conceitos:









REFERÊNCIAS



ANDRADE, M. C. Geografia: ciência da sociedade. São Paulo, 2003

CHRISTOFOLETTI, A. Perspectivas da Geografia. São Paulo: Difel, 1982.

CASTRO, I. E.; GOMES, P. C. C.; CORRÊA, R. L. (org.) Geografia: conceitos e temas. 6 ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2003, p. 15-47.

HAESBAERT, Rogério. Por uma constelação geográfica de conceitos. In: HAESBAERT, Rogério. Viver no limite: território e multi/transterritorialidade em tempos de insegurança e contenção. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2014. P. 19 – 51.

SANTOS, M. Espaço e sociedade. Petrópolis (RJ): Vozes, 1979.

SODRÉ, N. W. Introdução à Geografia. 2 ed. Petrópolis: Vozes, 1977.

SOUZA, Marcelo Lopes de. Os conceitos fundamentais da pesquisa sócio-espacial. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2013.

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